28 de setembro de 2011

A CASA DO OLEIRO...

Descer a casa do Oleiro é uma das melhores experiências que podemos passar. Eu estive lá no fim do ano passado. Quer dizer, foi a primeira vez que eu dei conta de que estava lá, pois já havia ido várias vezes antes, sem saber!

Parece-me que a gente desce a casa do Oleiro todas as vezes que Ele encontra uma rachadura em nós, e olha nesta última visita eu estava totalmente rachada na alma!

De repente, é sempre assim, veio um pensamento que a liturgia do final do ano envolveria o barro. Não entendia porque eu iria repetir uma liturgia com este tema, pois eu já havia trabalhado, duas vezes antes, o mesmo assunto, inclusive, a segunda foi logo que assumi esta igreja que estou hoje.

Aceitei o desafio. Chamei o pessoal do louvor, e começamos a juntar ideias, surgiu a música tema – Oleiro, Diante do Trono -, me enviaram uma reflexão da Ludmila Ferber “A casa do Oleiro”. E então, partimos para ensaiar as músicas, uma semana inteirinha de dedicação. E uma semana inteirinha sendo ministrados no Espirito, todos nós.

Saí em busca de vasos de barro, eu tinha em meu coração como eu queria a mesa do altar. Cheia de vasos de barro, um diferente do outro.

Cheguei a noite na igreja para o penúltimo ensaio, e o pessoal, ficou me olhando, e pediram para que no outro dia eu ficasse pronta, iriam me levar há um lugar.

O outro dia chegou, e fomos. De repente, como eu disse, é sempre assim, paramos num lugar rústico com dois barracões, um cheio de vasos espalhados por todos os lados. O outro, com vasos secando.

Passando por uma porta, algo que imitava uma. Vi três rodas e o oleiro debruçado sobre a obra que estava em suas mãos. Ele todo sujo de barro. Olhou para mim e disse que a roda vazia esperava por mim, pediu para um ajudante me colocar ali, e me deu barro nas mãos.

Não saía nada, se quer o barro parava no centro da roda. Então ele veio até a mim, e disse que o barro tinha que ser colocado no centro com força para poder começar a ser modelado. Outro problema, modelar o barro. Ele ia para onde queria e como queria, o Oleiro colocou suas mãos sobre a minha, e me advertiu: Quem tem domínio sobre o barro é você, e não, o contrário.

Neste momento, senti o Espirito santo me dizendo, entendeu? Você tem que estar no centro da vontade de Deus, pois se assim não for Ele não será capaz de moldá-la. E mais, quem tem domínio sobre você é Ele, pois do contrário, você irá se debater de um lado para o outro e estará cada dia mais rachada.

O Oleiro voltou para sua roda e continuou a fazer vários vasos. Eu saí da roda que estava já havia aprendido uma lição ali. E fui contemplar como ele trabalhava o barro. Mãos firmes, adestradas, mágicas. Cheio de sabedoria, começou a dizer: Amo passar meus dias aqui, para mim não tem feriado, se estou com alguma preocupação, corro para cá e me entrego a esta tarefa. Mas o que mais tem que se ter aqui é paciência. Uma vez tive pressa e coloquei antecipadamente os vasos no forno e perdi aquela fornada inteira.

Novamente o Espirito sussurrou em meus ouvidos: O que Deus mais ama fazer é trabalhar o barro, ele não se cansa, ele se entrega a obra de suas mãos. O que Ele mais tem é paciência, pois sabe que se agir antes da hora, pode perder a obra linda que ele tem em mente.

Saí dali, e o Oleiro me acompanhou. Olhei para o outro barracão, vi um monte de vasos quebrados, todos empilhados. Perguntei para ele: Tem como refazer aqueles vasos? Ele, parou, ficou pensando e disse: Tem, precisa moê-los até que vire um pó, misturar com um barro mais forte. Aí dá para fazer um novo vaso, mas não compensa.

No mesmo instante o Espirito Santo interviu. Este processo é o mais doloroso, ser moído para ser modelado novamente. Realmente, a maioria dos oleiros desiste nesta etapa. Mas Deus, o Grande Oleiro, Ele não desiste nunca. Para ele sempre compensa, sempre vale investir mais. Ele nunca desistiu de um vaso, foram os vasos que desistiram bem no meio deste processo por ser doloroso demais.

Um vaso quebrado nunca conseguirá enxergar o projeto perfeito que o Oleiro tem para suas vidas. Pois está em meio a muitas crises, a muita dor, as lágrimas impedem de ver que as mãos do Oleiro estão ali, firmes, adestradas, mágicas, para refazê-lo novamente.

Saí da Casa do oleiro, diretamente para a CASA DO GRANDE OLEIRO, dizendo: Senhor eu me quebrei toda, está doendo, pode me refazer novamente? Mas esta já é outra história...

7 de julho de 2011

Escolhas de uma vida

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

22 de junho de 2011

Em processo de ser...( metamorfose)


Estou, talvez, no momento da minha metamorfose, ainda não sou, mas estou caminhando para ser. Eu olho para mim e não consigo me identificar, está tudo em plena transformação. Acho que entrei no casulo, depois de fazer muitos estragos! Vem a minha memória a história da lagarta em processo de ser uma linda borboleta. Depois eu posto aqui caso não conheçam.
Como eu ia dizendo, entendo, neste exato momento, estar em pleno desenvolvimento para ser aquilo que sempre fui criada para ser – Uma borboleta ( vamos dizer assim)!
Não sei se isto acontece com você, as pessoas que te cercam dizem: Você vai longe, quero encontrar você daqui uns 10 anos! Escutei isto uma vez de uma senhora, e pensei comigo, nossa estarei com tantos anos, meu corpo será diferente, minha pele, meu rosto. Como pensava pequeno, por nenhum momento imaginei que passaria por uma mudança muito mais profunda, que não transformaria apenas minha aparência, mas me faria olhar para a vida de outra ótica.
Eu não consigo me reconhecer neste momento, me sinto estranha, o que me atraía no passado não me atrai mais, situação que eu perderia o controle, já não perco mais. Antes eu agia sem pensar, hoje se faço isso, não me sinto bem e fico pensando um tempão depois em tudo. E quando olho para trás, não é para mudar o que aconteceu, e sim, para não repetir os mesmos erros.
Este processo carrega em si muito desconforto, por outro lado, vem munido de muita satisfação, percebemos que somos seres em constante transformação, e não mais pelo meio. E sim, por algo que está acontecendo dentro da gente.
Há dez anos, nunca imaginei que estaria aqui. Que chegaria tão longe, que aquela menina do interior de Itapecerica, enfrentando tantas situações delicadas, hoje olha para o passado, não com ressentimento, apenas agradecida pela mulher que está se tornando.
Eu ainda não sou. Estou dentro de um apertado e incomodo casulo sendo preparada para ser. Não tenho pressa, pois não me preocupo mais com os sinais que o tempo está causando em minha aparência.
Estou na expectativa de conhecer uma pessoa madura, sensata, decidida. Que aprende com os erros, não se entrega diante da derrota do percurso, que aceita um não, com a mesma singeleza que aceitaria o sim. Uma mulher que diante do sucesso, da vitória, não se orgulha, apenas agradece, pois sabe o preço que custou. E carrega dentro de si muitos sonhos, muitos projetos...carrega a alegria de viver para ser o que sempre foi planejada a ser...
Aguardem, vai demorar mais um pouquinho, não tenham pressa, o tempo é mestre neste processo de transformação...daqui a pouco me verão escrever mais um processo desta longa metamorfose chamada – VIDA!

21 de junho de 2011

A ÁGUIA QUE (QUASE) VIROU GALINHA


Era uma vez uma águia que foi criada num galinheiro. Cresceu pensando que era galinha. Era uma galinha estranha (o que a fazia sofrer). Que tristeza quando se via refletida nos espelhos das poças d’água tão diferente! O bico era grande demais, adunco, impróprio para catar milho, como todas as outras faziam. Seus olhos tinham um ar feroz, diferente do olhar amedrontado das galinhas, tão ao sabor do amor do galo.

Era muito grande em relação às outras, era atlética. Com certeza sofria de alguma doença. E ela queria uma coisa só: ser uma galinha comum, como todas as outras.

Fazia um esforço enorme para isso. Treinava ciscar com bamboleio próprio. Andava meio agachada, para não se destacar pela altura. Tomava lições de cacarejo.

O que mais queria: que seu cocô tivesse o mesmo cheiro familiar e acolhedor do cocô das galinhas. O seu era diferente, inconfundível. Todos sabiam onde ela tinha estado e riam.

Sua luta para ser igual a levava a extremos de dedicação política. Participava de todas as causas. Quando havia greve por rações de milho mais abundantes, ela estava sempre na frente. Fazia discursos inflamados contra as péssimas condições de segurança do galinheiro, pois a tela precisava ser arrumada, estava cheia de buracos (nunca lhe passava pela cabeça aproveitar-se dos furos para fugir, porque o que ela queria não era a liberdade, era ser igual às outras, mesmo dentro do galinheiro).

Pregava a necessidade de uma revolução no galinheiro. Acabar com o dono que se apossava do trabalho das galinhas. O galinheiro precisava de nova administração galinácea. (Acabar com o galinheiro, derrubar as cercas, isso era coisa impensável. O que se desejava era um galinheiro que fosse bom, protegido, onde ninguém pudesse entrar – muito embora o reverso fosse “de onde ninguém pudesse sair”).

Aconteceu que, um dia, um alpinista que se dirigia para o cume das montanhas passou por ali. Alpinistas são pessoas que gostam de ser águias. Não podendo, fazem aquilo que chega mais perto. Sobem a pés e mãos, até as alturas onde elas vivem e voam. E ficam lá, olhando para baixo, imaginando que seria muito bom se fossem águias e pudessem voar.

O alpinista viu a águia no galinheiro e se assustou.

- O que você, águia, está fazendo no meio das galinhas? Ele perguntou.

Ela pensou que estava sendo caçoada e ficou brava.

- Não me goza. Águia é a vovozinha. Sou galinha de corpo e alma, embora não pareça.

- Galinha coisa nenhuma, replicou o alpinista. Você tem bico de águia, olhar de águia, rabo de águia, cocô de águia. É ÁGUIA. Deveria estar voando... E apontou para minúsculos pontos no céu, muito longe, águias que voam perto dos picos das montanhas.

- Deus me livre! Tenho vertigem das alturas. Me dá tonteira. O máximo, para mim, é o segundo degrau do poleiro, ela respondeu.

O alpinista percebeu que a discussão não iria a lugar nenhum. Suspeitou que a águia até gostava de ser galinha. Coisa que acontece freqüentemente. Voar é excitante, mas dá calafrios. O galinheiro pode ser chato, mas é tranqüilo. A segurança atrai mais que a liberdade.

Assim, fim de papo. Agarrou a águia e enfiou dentro de um saco. E continuou sua marcha para o alto da montanha.

Chegando lá, escolheu o abismo mais fundo, abriu o saco e sacudiu a águia no vazio. Ela caiu. Aterrorizada, debateu-se furiosamente procurando algo a que se agarrar. Mas não havia nada. Só lhe sobravam as asas.

E foi então que algo novo aconteceu. Do fundo de seu corpo galináceo, uma águia, há muito tempo adormecida e esquecida, acordou, se apossou das asas e, de repente, ela voou.

“Lá de cima olhou o vale onde vivera. Visto das alturas ele era muito mais bonito. Que pena que há tantos animais que só podem ver os limites do galinheiro!”

15 de junho de 2011

Quem é você?

Estamos estudando no discipulado – Deus me ama. E ontem, fomos confrontados com a Parábola do Filho Pródigo.
Um filho, que de repente, chega ao pai e pede sua herança, como se dissesse, para mim você já está morto, quero levar minha vida bem longe da sua presença.
O filho mais velho, claro, este se manteve ao lado do pai, trabalhou, trabalhou e trabalhou. Nunca deixou transparecer seus sentimentos, parecia amar e entender o pai golpeado pelo o irmão mais novo.
O pai, nada fez, não impediu do mais novo sair, não foi busca-lo nos momentos mais difíceis, apenas esperou. E quando o viu, foi ao seu encontro o abraçou, o beijou, o aceitou e foi duramente criticado pelo que sempre ficou ao seu lado.
O desafio da noite era compreender o amor do pai, difícil!!! Eu não agiria assim. E descobrir, ou melhor, trazer a tona quem sou eu. O filho mais novo, ou, filho mais velho?
Sou o filho mais velho. Nunca tive coragem de ser, sou polida demais pela religião, sei o que é certo e o que é errado. Então sempre me mantive na casa do pai fazendo para merecer o seu amor, escondendo por traz de uma máscara todos os meus sentimentos. Por vezes, inconformada de ver como o Pai trata aquele que volta depois de rejeitar todo o seu amor.
Mal sabia que mesmo permanecendo, eu rejeitei também seu amor, que não é dado pelo que faço. Ele simplesmente me ama.
A volta do mais novo, só revelou o caráter de todos, do mais velho, do Pai e o seu próprio caráter. Um, ressentido mesmo vivendo e desfrutando da casa do pai, mas não do amor do Pai. O outro, voltando depois de reconhecer que sua escolha o levou ao fim de tudo, e só a casa do Pai, daria dignidade novamente. Estava para conhecer o verdadeiro amor. E por fim, o pai que era só amor. Amor que espera, amor que não desiste, amor que não impõe, amor , amor, amor.
Eu não sei se você terá coragem de fazer com que o amor do Pai revele quem você é, pois dói, dói muito, tanto para o que fica, como para o que abandona este amor. Agora, de uma coisa eu sei. O amor do Pai está sempre a sua disposição seja você quem for.